terça-feira, 20 de agosto de 2013

Operação meia sola

A Prefeitura de Niterói está realizando hoje mais uma operação tapa buracos na Travessa São José, que liga os bairros Fonseca e Caramujo a Viçoso Jardim. Na verdade deveria ser chamada de operação meia sola, porque são tantas as crateras que a via precisa mesmo é de total recapeamento, como foi feito nas ruas próximas Noronha Torrezão e Desembargador Lima Castro. Vale lembrar que a Travessa São José serve de rota alternativa para desafogar o trânsito, podendo ser utilizada por motoristas que seguem para Pendotiba e Região Oceânica, para a Zona Sul ou Zona Norte. Além disso, recebe tráfego pesado de caminhões e ônibus. Há poucos meses uma outra operação tapa buracos já havia sido feita na via e como podem ver, de nada adiantou...

sexta-feira, 31 de maio de 2013

HORTO DO FONSECA: O RETRATO DO ABANDONO





Considerada uma das principais áreas de lazer da Zona Norte de Niterói, o Horto Botânico do Fonseca, na Alameda São Boaventura, está abandonado. Ontem (30/05), em pleno feriado de Corpus Christi, o parque se encontrava aberto, mas entregue às moscas. Aliás, moscas não faltam sobrevoando as lixeiras abarrotadas, que há muito não são trocadas, e também a sujeira espalhada pelo chão.

Os desavisados que buscam divertimento próximo à natureza encontram logo na entrada um quadro desolador. O Zardim Zoológico (Zoonit), uma das principais atrações do espaço foi fechado em 2011 e apesar de muitas promessas e prazos não cumpridos, ainda não voltou a funcionar. Brinquedos como balanços e gangorras estão quebrados e com ferros expostos, que colocam em risco a segurança das crianças. Grande parte das placas de sinalização e que indicam as espécies de plantas estão destruídas. As que não estão, foram pichadas ou encontram-se muito sujas, como, aliás, tudo no parque, exceto alguns prédios (alguns mesmo) que funcionam como sedes de órgãos dos governos municipais ou estaduais.

Sem atrativos a oferecer, o público não aparece. E como resultado o restaurante (único do espaço), os quiosques de lanche e a feira de artesanato (que pouco ou quase nada tem de artesanato) também não funcionaram ontem, assim como um comércio de plantas e uma loja de produtos naturais localizados na entrada do Horto.

Quem ainda assim se arrisca a fazer a pé ou de bicicleta uma das trilhas que existem no parque é obrigado a transpor muitos buracos e se depara com um quadro ainda mais desolador que inclui árvores arrancadas pelas raízes nas últimas tempestades, e que ainda se encontram derrubadas no meio da floresta. Quem não leva repelente acaba picado por mosquitos. Nada anormal, não fossem os mosquitos do tipo Aedes Aegypti, transmissores da dengue.

Recentemente, foram instalados quebra-molas com a justificativa de que serviriam para obrigar os carros a circularem em baixa velocidade. Mas fora dos padrões determinados pela legislação, eles danificam veículos e atrapalham o caminhar de idosos e de mulheres empurrando carrinhos de bebês. Curiosamente, o quebra-molas instalado junto ao estacionamento dos diretores de órgãos públicos foi retirado poucos dias depois. Apenas os demais permaneceram.
 

Em um dos órgãos públicos que funcionam no
Horto, a enorme cerca de arame farpado instalada na entrada insinua mesmo sem querer aos visitantes que o parque é perigoso. E é mesmo. Em poucos minutos de conversa com os poucos frequentadores e funcionários, descobre-se histórias de assaltos e tiroteios que acontecem em seu interior. Na semana passada, uma estudante de 13 anos, de uma escola próxima, foi perseguida por um tarado, que acabou sendo preso por guardas municipais e levado para a delegacia, ironicamente situada em frente ao Horto. O parque, também é vizinho de uma penitenciária e de algumas favelas dominadas pelo tráfico de drogas.

Como se não bastasse, o Horto virou ainda um verdadeiro depósito de cães e gatos que são abandonados por visitantes. Em condições precárias e doentes, os animais sobrevivem graças à bondade de algumas pessoas (foto) que diariamente distribuem ração e em algumas poucas vezes aplicam remédios.

O quadro de descaso e abandono não choca apenas os visitantes, mas também quem trabalha nas inúmeras instituições que funcionam no parque e que fazem o que podem, muitas vezes tirando dinheiro do próprio bolso para ajudar, pelo menos, a melhorar a situação dos bichos. Mas sem o apoio do poder público, as ações mostram-se insuficientes. “É como enxugar gelo”, desabafa uma funcionária.

Criado em maio de 1906 com a finalidade de servir como ponto de cultivo e distribuição de semente, mudas frutíferas e plantas medicinais aos lavradores, o Horto do Fonseca ainda abriga algumas espécies de plantas e árvores como jatobás, jequitibás, jacarandás e sapucaias, bem como a espécie conhecida como pau mulato, que não foram arrancadas ao longo dos anos para a construção dos prédios públicos.

Muita gente não sabe, mas o parque também abrigava em seu interior uma nascente chamada de Fonte Azul, que hoje aparenta estar seca. No local onde a água brotava da terra hoje existe um poço artesiano que não deve servir para captar água potável. É que bem ali próximo de onde ficava a fonte, há muitos anos funcionou uma fábrica de pesticidas. Ainda é possível ver a enorme chaminé “brotando” no meio da folhagem das árvores, nos fundos do Horto. De córrego, atualmente só existe um valão que corta o parque empesteando o ambiente com seu cheiro pútrido.

Muita gente também não sabe, mas dentro do Horto do Fonseca funciona a Administração Regional do Fonseca. Pelo menos é o que diz uma placa bem grande em frente a um dos poucos prédios que aparentemente são conservados, ao contrário de tudo mais no parque.

Ontem, no feriado, levei minha família ao Horto Botânico do Fonseca. Não ouvimos mais o canto dos pássaros e nem vimos o voo das borboletas conhecidas como “capitães do mato”, que eram muito comuns ali. O bugio que habita a copa das árvores e é famoso pelas suas vocalizações que podem ser ouvidas a quilômetros também ficou mudo. Mudou-se ou silenciou-se, provavelmente triste diante da agonizante situação do parque.

Texto e fotos: Jefferson Lemos
Equipamento: celular Nokia Lumia 620